Pelas ondas do rádio

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Manhã de segunda-feira. Acordo. Não levanto, o sono ainda impregnado em meu corpo. Presto atenção em meu redor. Meus pais já acordados. Ouço um clique. É o rádio. “Está no ar o Grande Matutino R.I., o seu jornal da manhã”. Chegada a hora de acompanhar as notícias da cidade. Eis que me lembro do dia de ontem. 25 de setembro é o dia do rádio. Para ser mais preciso, é a data do aniversário de Edgard Roquette-Pinto, o pioneiro do rádio no Brasil. Rádio, um meio de grande importância no dia-a-dia da população, e que cada vez mais parece ser esquecido, principalmente pelos mais jovens.

Como estudante de jornalismo, rádio é uma de minhas matérias de estudo na faculdade. Lembro, na primeira aula que tive, de uma dinâmica curiosa: “Escreva qual a sua relação com o rádio”. É engraçado ver como, dependendo do lugar de onde a pessoa venha, as respostas são tão diferentes. A maioria diz que só ouve o rádio para escutar música — ou então que simplesmente não ouvem mais rádio. Aqueles que vêm de cidades pequenas, por sua vez, atribuem ao rádio uma responsabilidade maior: a de levar ao povo as últimas notícias que possam impactar em seu cotidiano, principalmente por este ser o meio mais ágil, instantâneo e voltado para a cidade em que está instalado.

Na última aula, conhecemos um pouco mais sobre o começo do rádio no Brasil. A primeira transmissão oficialmente documentada teria sido realizada em 7 de setembro de 1922, durante as comemorações do centenário da Independência. Era o discurso de abertura da Exposição Internacional do Rio de Janeiro, proferido pelo então presidente Epitácio Pessoa. Após as festividades, tudo encerrado. O rádio no Brasil acabava... pelo menos por alguns meses. A radiodifusão brasileira foi inaugurada de fato com a criação da Rádio Sociedade, por Roquette-Pinto. Com o passar dos anos, o meio se popularizou e alcançou o nível de cobertura nacional que tem hoje, principalmente graças a seu alcance, quase a totalidade do território brasileiro.

Outro fato interessante do rádio é a sua capacidade impressionante de se adaptar conforme os tempos. Com o advento da televisão, “surge a programação baseada no tripé música-esportes-notícias”, como diz a jornalista e professora de Radiojornalismo da USP Gisela Swetlana Ortriwano. A música toma conta da programação. Mas outro tipo de rádio também aparece: o formato all news. Essas são as rádios especializadas em notícias, responsáveis por levar os acontecimentos mais recentes, as informações de tráfego e clima, curiosidades sobre o dia-a-dia, discussões sobre a política etc.

Mas você então para meu raciocínio e lembra: “isso tudo a internet faz hoje, o rádio não é mais necessário”. Bam! É verdade, a internet nos traz tudo isso. Notícias, esporte, música, entretenimento... mas uma característica do rádio é única e faz com que este seja o meio mais difícil de ser batido: você pode utilizá-lo em qualquer lugar e a qualquer hora. Ele só prende nossa audição, não atrapalha outros sentidos essenciais. Podemos dirigir e ouvir o rádio; podemos trabalhar e ouvir o rádio; podemos ler e ouvir o rádio; podemos... — nem me vem algo à mente para escrever — e ouvir o rádio.

Este talvez seja o meio mais flexível e imortal da mídia mundial. Meus parabéns póstumos e um dia atrasados a Edgard Roquette-Pinto, este senhor cujo trabalho revolucionou um dos principais meios de desenvolvimento da profissão que sempre sonhei em exercer. Olha a hora, vambora, vambora!

Apenas algumas palavras de uma pessoa pensante... João Pedro Pinheiro, 18, é aluno do curso de Jornalismo na Unesp Bauru e escreve crônicas em seu blog http://joao.curiosocia.com.

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